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Publicação em destaque

Lobo Ma|eU

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No primeiro dia dançamos. Tu, intuindo que eu tentava escapar dali, me seguraste pelos braços. Colaste-me ao teu peito e num sussurro – os lábios roçando o meu pescoço e activando mil terminações nervosas que deram voz de comando a invisíveis pêlos e estes imediatamente se ergueram, em sentido – num sussurro, ordenaste: badja ku mi.
No primeiro dia nos beijamos [bêja ku mi...]. Eu tinha decidido que não ia acontecer. Mas o que têm estas coisas a ver com decisões friamente tomadas quando pouco sabia dos teus lábios de pecado enfeitados com o sorriso mais feiticeiro que se possa imaginar?
No primeiro dia nos amamos. Primeiro fugi. Depois não resisti ao teu chamado e voltei. Dançamos outra dança. A mais antiga de todas mas que, de algum modo, acabávamos de inventar ali. E em todos os outros dias em que a dança se repetiu, sempre foi como se tivéssemos sido feitos para dançar um com o outro… Encaixe perfeito.
E aqui, memorando esse primeiro dia – que não foi nada o primeiro, porque tinha se …

SaLit(e)ra

Festival Literatura-Mundo Sal2017. A primeira das muitas edições futuras que certamente se seguirao.
Um encontro de escritores, editores, tradutores, críticos literários, investigadores, jornalistas e curadores de diferentes proveniências para trazer ao nosso Cabo Verde uma discussão e um processo que já se iniciou lá fora sobre a mundialização de outra literatura, aquela fora dos cânones.E de caminho, inscrever a Ilha do Sal e Cabo Verde no centro do turismo cultural atlântico.
Estao cá os nossos Arménio Vieira, Dina Salústio,Germano Almeida, Vera Duarte, José Luiz Tavares, Evel Rocha, Joaquim Arena, entre outros. E estao também os que vieram de mais longe como Inocencia Mata, Zia Soares, Dejan Tiago Stankovic, Yolanda Castano,Guiomar Grammont, José Manuel Fajardo... Todos recebidos com morabeza pelo José Luis Peixoto, o Filinto Elísio e a Márcia Souto, a equipa que concebeu este festival.

Na ilha do Sal já se sente a saLit(e)ra...

Ler Com Outro Sentido

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No ano passado, participei numa formação na Biblioteca Nacional onde conheci a professora do ensino básico Ana Mendonça. Percebi de imediato o seu interesse e entusiasmo em tornar as suas aulas o mais criativas possíveis para os seus alunos. Assim, não foi surpresa saber que estava a trabalhar com estes, textos literários com recurso a aulas bem dinâmicas e interactivas, onde autores desses textos eram convidados a irem à escola para interagir com os estudantes. A surpresa foi receber o convite da professora para ser uma das autoras a ceder um texto para ser trabalhado.
Comecei a escrever (com a ideia fixa de um dia tornar-me escritora) aos 09 anos. Desde essa idade sempre tive um caderno onde escrevia as minhas historinhas que eram sobretudo de aventuras. Na adolescência continuei a escrever as minhas histórinhas naïfs, já com um leitor específico como público-alvo: o meu sobrinho mais velho. Mas já aí começava a me interessar escrever outros tipos de textos, já que a ambição de vir a…

Poeta fui/Do fundo do baú

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Este foi um dos poemas que escrevi em 2012, inspirada por uma fotografia do fotógrafo Sandro Luini que me convidou para uma parceria criativa.
Na altura não pensei nele assim, mas hoje ouço um batuco quando leio os versos ;) 

Pa mar!
Nu  bai Nu pintxa Nu poi boti na mar
Nu bai Nu djunta mon Nu poi boti na mar
Nu poi boti na mar Nu bai briga ku ondas Nu bai djobi bida
Nu poi boti na mar Nu bai finta prigu
Nu bai busca pon di fidju
Nu  bai Nu pintxa Nu poi boti na mar
Nu bai Nu djunta mon Nu poi boti na mar

Txabi Bedju*

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É, eu coleciono chaves. Chaves de todas as casas em que já morei. Chaves de cadeados de mala e de diários, a chave do portão da casa de Vovó, a do meu primeiro carro. 
Tenho cópias da chave da livraria onde trabalhei durante um verão passado no Porto, da casa de um ex-namorado italiano com quem vivi durante os meses de estudante Erasmus em Paris, e até as chaves de um cacifo de supermercado onde um dia deixei meus cadernos do curso de Direito e nunca mais fui buscá-los, porque no dia seguinte me dei conta que jamais seria jurista, e pouco tempo depois me mudei para o Brasil para ser a fotógrafa de viagens que sempre sonhei ser e que por medo e expectativas alheias estava disposta a abrir mão.
Sei lá por quê coleciono chaves. 

De todas as coisas que eu já colecionei na vida - e eu já colecionei selos, latas de refrigerante e de cerveja, folhas secas, pedras, conchas, cacos de vidro colorido, postais, canetas, filmes de Woody Allen, discos do Nick Cave e da Madonna, fotos e recortes do Len…

Frases que Ficam

“Uma mulher não pode sair à rua e intitular-se de feminista, se não conhece o que é o feminismo. O feminismo tem de ser colocado em prática, porque senão não se alcança nada”.
Aida Suárez, livreira

Template Dilema

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Desde o finalzinho do ano passado estou neste dilema: mudo ou não o aspecto do Riba Praia & Arredores? Troco o template para arrejar e dar novos usos ao blogue? Ou deixo ficar este não sei quê de vintage queme encanta neste cenário meio literário/cinematográfico pelo qual me apaixonei há seis anos (caramba, este meu "novo" blogue já tem seis anos!)?
E o dilema prossegue. Mesmo eu me encantando com as dezenas de templates todos cleans e pós-modernos que as várias plataformas online me oferecem... E vai ficando este cantinho dark, com as suas sisudas paredes sujas e descascadas e os seus arrogantes móveis antique. 
E a poltrona! Claro, a poltrona onde fico sempre a espera de, de repente, ver alguém sentar-se. 
Não. Não alguém. Ás vezes me parece que, num twist absolutamente surrealista, sou capaz de me ver a mim mesma a chegar e, pachorrentamente, me sentar naquela poltrona com um livro qualquer na mão, o qual começo a folhear e interrompo para lançar um olhar curioso a este …

Nos é três que krebo txeu, Santiago*

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A Binter Cabo Verde teve finalmente, no último trimestre  do ano passado, luz verde para voar os céus entre as ilhas do país. E para lançar o início da sua actividade comercial fez sair uma série de anúncios publicitários, quer em formato impresso quer audiovisual. Aqui e ali os comentários foram unânimes: os anúncios eram um regalo para a vista. Bonitos e convidativos. E quem diria que também seriam um dos raros anúncios comerciais bastante próximos da realidade?
 Falo por mim, que experienciei o facto durante a minha viagem de regresso de São Vicente, nos primeiros dias de Janeiro. Calhou-me a sorte de sentar-me à janela e calhou-me a sorte de, pela primeira vez desde que me lembro, sobrevoar a nossa ilha-maior, ilha-mor,ilha-mãe... A ilha maior em meu coração dividido em mil peças de puzzle.
Pela primeira  vi Santiago, ao vivo e a cores, de uma ponta a outra passando sob os meus olhos! E foi lindo demais. 
Pela primeira vez, das não tantas assim em que voei de regresso a Santiago, o…